Sustentabilidade é resultado de uma boa gestão

 globoEscrever sobre sustentabilidade não é fácil, nem simples. Um tema amplo, cheio de interconexões, especificidades e desafios. Por isto resolvi, num momento digamos assim “criativo didático”, organizar a sustentabilidade em uma linha de pensamento simplificado.

E já que temos que começar por alguma diretriz escolhi o mais conhecido do mundo corporativo que é “o triple botton line”. Conceito criado pelo sociólogo e consultor britânico John Elkington enxerga a sustentabilidade resultante do equilibro dos indicadores sociais, ambientais e econômicos da organização.  

Mas eis que surge o primeiro desafio: Se os indicadores são interdependentes e se influenciam mutuamente, não poderão ser administrados separadamente. Temos que operacionalizá-los simultaneamente.

Desafio que demanda esforço intelectual para definir prioridades e estratégias. Muitas competências distintas neste esforço das práticas sustentáveis que resultarão nos robustos indicadores sociais, ambientais e econômicos. E, que por sua vez resultarão na sustentabilidade entendida pelo autor John Elkington quando criou este conceito.

E uma nova questão aparece: Estamos falando de gestão ou de sustentabilidade? E a resposta: De ambos.

A “Sustentabilidade” pode ter muitas interpretações, mas na prática, ela representa a “Perenidade ” da empresa em cenários futuros

Podemos atuar em temas técnicos que exigem especializações especificas (resíduos, emissões, energia, recursos hídricos, etc.), ou em temas de governança que exigem visão sistêmica, e também habilidades específicas de administração e negócios.  A sustentabilidade só existirá se tivermos alcançado resultados práticos, aferidos e positivos. A sua ausência ou seu contrário (resultados práticos, aferidos e negativos) é praticamente um atestado de óbito, pois coloca em risco o futuro daquele negócio ou iniciativa.

A palavra “sustentabilidade” pode ter muitas definições, mas na prática, ela representa a “perenidade” da empresa em cenários futuros pela consistência de seus indicadores. Todas as áreas e não apenas as ditas “ambientais” ou “sociais” trabalham para isto em uma organização. Mas temos que destacar as áreas técnicas que com suas práticas de excelência são responsáveis por indicadores altamente positivos.

Nos últimos anos houve uma grande evolução das áreas técnicas e de governança que adotaram o olhar sistêmico em suas gestões.  E foi então, a compreensão dos riscos e das oportunidades a longo prazo que fizeram da sustentabilidade, a melhor estratégia de competitividade que uma organização pode ter para garantir a sua perenidade no futuro.

Benchmarking – Um programa de valorização das boas práticas e de quem trabalha com elas

O Programa Benchmarking se consolidou como um dos mais respeitados Selos de Sustentabilidade do país. Com metodologia própria reconhecida pela ABNT, reconhece, certifica e compartilha as melhores práticas socioambientais das instituições brasileiras. Já certificou 356 práticas de 186 instituições de 26 diferentes ramos de atividades. Com aproximadamente 200 especialistas de 22 diferentes países participando da comissão técnica, o programa se tornou uma plataforma de inteligência coletiva em sustentabilidade. Hoje, a iniciativa conta com 1 modalidade âncora (Benchmarking Senior) destinado ao público corporativo e 5 modalidades paralelas (Benchmarking Junior, Benchmarking Indicadores, Benchmarking Artes, Benchmarking Pessoas, e Hackathon MAIS) destinado ao público jovem, artistas e personalidades ativistas. Além das organizações, o Programa trabalha com outros públicos para fortalecer o movimento das boas práticas junto a sociedade brasileira. 

Todo este conhecimento aplicado produzido pelos especialistas atuantes em sustentabilidade são compartilhados em publicações especializadas e eventos técnicos. Além do Banco Digital de práticas disponível na internet, são 03 livros publicados (BenchMais 1, 2 e 3) e mais de 60 encontros técnicos realizados, além de 11 edições da Revista Benchmarking (versões eletrônica e impressa) que são distribuídas gratuitamente para público interessado nesta temática. Em 2013, o Programa foi o grande vencedor, 1o colocado, na categoria Humanidades do Prêmio von Martius de Sustentabilidade da Câmara Brasil Alemanha. Em 13 edições já realizadas construiu e detém o maior banco de boas práticas socioambientais certificadas e com livre acesso do país. É considerado a fotografia da gestão socioambiental brasileira registrando seu nível de maturidade e evolução em sustentabilidade.

A XIV edição do Programa Benchmarking Brasil conta com apoios importantes, tais como: Institucional: TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) e do IAPMEI – Parcerias para o crescimento do ministério de economia do governo de Portugal. Divulgação: diversos portais e revistas especializadas em sustentabilidade tais como: Envolverde, Pensamento Verde, Acionista, RSOPT (Rede de Responsabilidade Social das Organizações de Portugal), e Revista Meio Ambiente Industrial. Acadêmico: Escolas Profissionalizantes Centro Paula Souza, IFSP e Senai SP, e as Universidades Anhembi Morumbi, Uninove e Mackenzie, parceiros nas modalidades Benchmarking Junior e Hackathon MAIS. O XIV Bench Day, ocasião em que se apresenta o Ranking Benchmarking dos legítimos da sustentabilidade 2016 se realizou nos dias 29 e 30 de junho no Hall Nobre e auditório do Tribunal Regional Federal da 3a Região – Av. Paulista, 1842 – 25o andar, em São Paulo/SP. 

São Paulo, 17 de Outubro de 2016

Marilena Lino A. Lavorato

Idealizadora do Programa Benchmarking Brasil